O que é o siso (e por que ele existe)
Siso é o nome popular do terceiro molar — o último dente de cada quadrante da boca, que costuma nascer entre os 17 e os 25 anos (daí o apelido "dente do juízo"). No total, são 4 sisos: dois superiores, dois inferiores. Algumas pessoas têm os 4, outras têm 1 ou 2, e cerca de 20% da população não tem nenhum (por agenesia, ou seja, o dente nem se formou).
Por que esse dente existe? A resposta evolutiva é que nossos ancestrais tinham mandíbulas maiores e dieta mais dura — precisavam de molares extras pra triturar carne crua, raízes e fibras. Com a mudança alimentar e a redução do tamanho da mandíbula ao longo de milhares de anos, o siso virou um dente sem espaço pra nascer direito. Daí os problemas que ele causa.
Quando o siso encontra espaço suficiente, posição correta e consegue ser higienizado bem, ele pode ficar lá feliz pra vida toda. Quando não — e isso é a maioria dos casos — ele vira fonte de dor, infecção e estrago dos dentes vizinhos.
Quando tirar o siso é obrigatório (5 cenários clássicos)
Se um desses casos é o seu, agendar a cirurgia é a decisão honesta. Adiar só piora.
1. Siso incluso ou semi-incluso
"Incluso" quer dizer preso dentro do osso, sem ter conseguido nascer. "Semi-incluso" quer dizer que ele rompeu parcialmente a gengiva, mas continua coberto. Esses sisos não têm como ser higienizados direito — o capuz de gengiva por cima vira um bolsão de bactérias que inflama, infecciona e dói recorrentemente (a tal pericoronarite).
2. Infecção recorrente (pericoronarite que volta sempre)
Você já tomou antibiótico duas, três vezes pelo mesmo siso? A região incha, dói, melhora com remédio e volta semanas depois? Isso é pericoronarite crônica. A cada novo episódio, o risco aumenta — incluindo a possibilidade da infecção descer pra região cervical, situação grave que pode exigir internação.
3. Cisto ou tumor associado ao siso
Sisos inclusos podem desenvolver cistos (cisto dentígero, principalmente) ou, mais raramente, tumores odontogênicos. A radiografia panorâmica de rotina identifica isso. Quando aparece, a remoção do siso e do cisto é obrigatória — e precisa ser logo, porque cistos crescem e destroem osso ao redor.
4. Siso danificando o dente vizinho (segundo molar)
Quando o siso nasce inclinado pra frente, ele empurra ou "encosta" no segundo molar. Esse contato gera cárie no segundo molar (que você não consegue limpar porque é coberto pelo siso) ou reabsorção da raiz dele. Aí você corre o risco de perder dois dentes em vez de um.
5. Tratamento ortodôntico em planejamento
Em alguns planejamentos ortodônticos com aparelho fixo ou alinhador invisível, a remoção dos sisos é parte do plano — pra criar espaço, evitar movimentação indesejada após o tratamento ou facilitar movimentos específicos. O ortodontista decide caso a caso.
Quando dá pra deixar o siso lá
Nem todo siso precisa sair. Os critérios pra "deixar lá em paz" são:
- Siso totalmente irrompido, em posição funcional, com contato adequado com o dente antagonista (o siso de cima encontrando o de baixo).
- Boa higienização possível com escova e fio dental — sem bolsa periodontal, sem sangramento, sem cárie.
- Sem sintomas recorrentes (sem inchaço, sem dor, sem infecção).
- Sem cárie e sem afetar o dente vizinho.
- Sem indicação ortodôntica de remoção.
Nesses casos, a recomendação responsável é acompanhamento radiográfico periódico (uma panorâmica a cada 2–3 anos) e seguir a vida normal. Se o quadro mudar, reavalia.
Como é a cirurgia de siso em 2026
Aqui mora outra notícia boa. A cirurgia de siso mudou muito nos últimos anos. Hoje, na DENT+ e em qualquer clínica que trabalhe com tecnologia atual, o protocolo é:
- Tomografia computadorizada 3D antes da cirurgia. Isso permite ver exatamente a posição do siso, a proximidade com o nervo alveolar inferior (que dá sensibilidade ao lábio inferior) e com o seio maxilar nos sisos superiores. Sem tomografia, é cirurgia "no chute".
- Anestesia local com técnica eletrônica, que injeta o anestésico de forma gradual e indolor. Em casos mais complexos ou pra paciente muito ansioso, sedação consciente também é uma opção.
- Técnica minimamente invasiva com instrumentos delicados, que respeita o osso ao redor e reduz o trauma. Em muitos casos, sem necessidade de pontos extensos.
- Tempo de cadeira: 30 a 60 minutos por siso, dependendo da complexidade.
- Suturas absorvíveis em geral, que não precisam ser removidas.
Pra quem tem medo de dentista (e de cirurgia ainda mais), saber que o procedimento moderno é controlado, previsível e bem tolerado já reduz boa parte da ansiedade.
O pós-operatório real (o que ninguém te conta)
Vamos ao que importa: como você vai se sentir nos dias seguintes. Isso varia conforme a complexidade da cirurgia (siso já irrompido sai mais fácil; siso incluso na mandíbula é o mais trabalhoso). A média:
- Primeiras 24h: inchaço começando, dor controlada com analgésico/anti-inflamatório prescrito. Compressa de gelo na bochecha (10 minutos sim, 10 minutos não) faz muita diferença.
- Dia 2 e 3: pico do inchaço (fica "cara de hamster" — totalmente normal). Dor diminuindo. Bochecho com soro ou enxaguante prescrito.
- Dia 4 ao 6: inchaço reduzindo, pode aparecer mancha roxa na pele (hematoma) — também normal. Volta gradual à alimentação macia morna.
- Dia 7 ao 10: retorno pra avaliação. Quase tudo cicatrizado, alimentação quase normal.
- Após 14 dias: cicatrização completa do tecido externo. O osso por baixo continua remodelando por 3–6 meses, mas você não percebe nada.
Recomendações importantes nesse período: não fumar (cigarro retarda muito a cicatrização e aumenta o risco de "alvéolo seco", que dói horrores), não tomar bebida alcoólica nos primeiros 3 dias, dormir com a cabeça mais elevada, evitar esforço físico por 5 dias.
Quanto a atestado de trabalho: o padrão é de 3 a 5 dias para casos simples, podendo chegar a 7 dias para sisos inclusos complexos ou cirurgia dos 4 sisos no mesmo dia.
Riscos honestos (porque dentista bom não esconde)
Toda cirurgia tem riscos. A maioria deles é baixa em mãos experientes, mas é importante você saber:
- Parestesia (formigamento ou dormência) na região do lábio inferior ou da língua, em sisos inferiores próximos do nervo. Em geral é temporária (semanas a poucos meses), raramente permanente. Tomografia 3D prévia reduz drasticamente esse risco.
- Comunicação buco-sinusal em sisos superiores muito próximos do seio maxilar. Quando acontece, é tratada na mesma cirurgia.
- Alvéolo seco (alveolite seca) — quando o coágulo que protege o osso se solta nos primeiros dias. Causa dor intensa em fisgada, controlada com curativo no consultório. Mais comum em fumantes e em quem não segue as orientações pós-cirúrgicas.
- Sangramento prolongado, infecção pós-operatória, edema persistente — tudo controlável com retorno e medicação ajustada.
- Trismo (dificuldade de abrir bem a boca) por alguns dias após cirurgia em mandíbula — normal e transitório.
Quanto custa cirurgia de siso em Niterói em 2026
Faixa de preço por siso, conforme a complexidade:
| Tipo de siso | Faixa de preço (Niterói) |
|---|---|
| Siso irrompido (extração simples) | R$ 400 – R$ 800 |
| Siso semi-incluso | R$ 800 – R$ 1.500 |
| Siso totalmente incluso na mandíbula | R$ 1.200 – R$ 2.500 |
| Pacote dos 4 sisos (em uma ou duas sessões) | R$ 3.000 – R$ 7.000 |
Tomografia 3D entra à parte (R$ 250 a R$ 500). Convênio odontológico costuma cobrir extração de sisos — aceitamos os principais planos na DENT+. Para casos cirúrgicos com complicação (ex.: necessidade de internação ou complicações sistêmicas), a indicação muda. Em emergência odontológica com inflamação aguda do siso, atendemos no menor prazo possível.